23 junho 2015

Momento poetisa: A indiferença


"Demorei muito tempo para entender que o amor não dói. Que carinho não é coisa que se pede, como quem pede o sal do outro lado da mesa. “Me passa o sal, por favor?”… e a pessoa não ouve. Mastiga, mastiga e não ouve. E você repete meio tom mais alto, até quase estar gritando enquanto toda a mesa te olha. Demorei muito tempo para entender que atenção dá quem quer. Que não é coisa que se cobre, feito um professor mirrado e quieto que atira giz nas cabeças que insistem conversar com os fulanos ao lado, observar insetos nas paredes ou rabiscar as carteiras. Quem se interessa senta logo na primeira carteira e te ouve. Você narra um livro clássico inteiro, para na metade e conta da vida pessoal, enrola, faz uma piadinha sem graça e, ainda assim, quem se interessa te ouve em silêncio. Eu demorei muito tempo para enxergar que o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Você chega e apresenta seus planos contente e espera alguém que comemore junto, te convide para jantar e a pessoa só sorri amarelo. “Ah, mas fulano me ama porque sorriu”. Você chora e tenta baixinho dizer seus segredos e medos esperando alguém que te conforte e te abrace e te beije… mas a pessoa atropela sua fala e diz que não tem nada a ver. “Ah, mas o fulano me ama, só não soube o que dizer”. Não. Não era ódio, mas também não era amor. Era essa coisinha pequena, quase imperceptível, chamada indiferença. Vejam como é fácil se camuflar entre a nossa vida sem que a gente perceba, nos fazendo aceitar coisas ralas e líquidas, tão líquidas, que escorrem facilmente pelas bocas de lobo quando chove. Demorei muito tempo para perceber que o querer move, sim, montanhas. E que, portanto, o ser que possui qualquer desejo puro em seu coração torna-se o ser mais poderoso dessa Terra. Demorei para entender que na vida só vale à pena o que é leve. E que, a partir do momento em que precisamos implorar algo a alguém, tal coisa já será feita com o peso da obrigação, que carrega os nossos ombros e puxa para baixo o nosso barco. Tudo torna-se forçado, como o navio de onde é jogada a âncora. Perde-se, imediatamente, a leveza que é fluir junto ao mar. Eu demorei muito tempo para entender que não devemos nos agarrar às âncoras, que nos prendem e nos travam… podemos acabar submersos.”
fonte: rio-doce.tumblr.com/

5 comentários:

  1. Texto maravilhoso, antes sentirmos algo do que nada.
    beijos

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  2. Texto lindíssimo... Para mim a indiferença é ainda pior do que o ódio para quem ama.

    Beijão, Guta! ♥
    www.opinada.com

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  3. Olá lindona! Como você está? Então, hoje vim convidá-la para o sorteio de 2 Anos do blog Doce encontro. Vem participar? Ficarei muito feliz! Miiil beijos! ♥

    http://www.doceencontro.com/2015/06/sorteio-especial-de-2-anos.html

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  4. Oi Agnes! Nossa eu amei seu texto de verdade. A gente demora a aprender as coisas simples da vida não é? Concordo com o texto e é isso mesmo sabe, como diria a Clarissa Corrêa: "Quem gosta de você vai te tratar bem".

    Bjs

    http://joandersonoliveira.blogspot.com.br/

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